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Mostrando postagens de fevereiro, 2018

O Engenhoso Fidalgo Stefan Zweig - texto II

Da mesma forma que Dom Quixote via gigantes onde só havia moinhos de vento, Stefan Zweig via no Brasil um destino de progresso onde só havia possibilidade de progresso. Nem todas as possibilidades se tornam reais. Uma pessoa que tenha dez dedos pode tornar-se pianista, mas nem todas o serão. Mas, deslumbrado com essa terra onde, como dizia Caminha, "em se plantando tudo dá", e acreditando haver realmente uma pacífica convivência entre as etnias, as crenças e as classes, Zweig coloca o Brasil como um modelo para o mundo. Não quis ele saber ou não deu a devida atenção a episódios sangrentos da nossa História como a Cabanagem, a Revolta dos Malês e a Guerra de Canudos; não atentou para as invasões da polícia contra os terreiros de candomblé e a segregação não declarada à qual os negros eram (e ainda são) segregados. Uma das páginas mais ingênuas de seu livro é a que trata das favelas. Transcrevo o parágrafo: "Algumas das coisas singulares, que tornam o Rio tão colorido e ...

O Engenhoso Fidalgo Stefan Zweig

Crescemos ouvindo dizer que o Brasil era o país do futuro. Futuro esse que nunca vimos chegar. Luis Fernando Verissimo certa vez escreveu uma crônica sobre isso: "Aquele estranho dia que nunca chega". Fui saber quem criou essa expressão num catálogo da editora L&PM de Porto Alegre: "Brasil, País do Futuro"é o nome de um livro do escritor austríaco Stefan Zweig. Ano passado, consegui lê-lo. Peguei emprestado na biblioteca de Niterói. Um antigo exemplar publicado pela Nova Fronteira. Diz a Wikipédia que esse livro é resultado de sua primeira viagem ao Brasil, entre 1940 e 1941. Um ano depois, ele morreria em Petrópolis. A versão oficial é suicídio mas os judeus não a aceitam. O livro me parece por demais ingênuo. Só quem não conhece as elites brasileiras pode imaginar que elas promoveriam o desenvolvimento do Brasil e a erradicação da miséria. Bem antes disso o Brasil ganhou muito dinheiro quando nascia a indústria do automóvel e tínhamos o monopólio das seri...

Lula foi condenado? E agora?

Particularmente, não me interessa saber se o triplex é do Lula ou da OAS. Não me interessa saber se ele é culpado ou inocente. O que sei é que há uma razão para ele ser condenado. "Não querem que ele seja presidente!", é o que dizem os devotos de Lula. E daí se ele for presidente pela terceira vez ou não? O que acontece é que o nefasto Temer está destruindo os direitos dos trabalhadores, como antes FHC entregou ao capital apátrida valiosas estatais. Naquela época, o PT esperneava contra as privatizações. A ilegalidade delas foi questionada por pessoas ilustres como o saudoso jornalista Barbosa Lima Sobrinho que, centenário, colocava ações na Justiça contra a privatização da Vale. E quando o PT chegou à presidência não se falou mais disso. Após destruir o Rio Doce e brindar o país com a volta da febre amarela, a Vale segue impune. Ninguém fala em retomá-la para o Estado como punição pelo maior crime ambiental de nossa História. Então, por que apoiar o PT? A condenação de L...