O Engenhoso Fidalgo Stefan Zweig - texto II
Da mesma forma que Dom Quixote via gigantes onde só havia moinhos de vento, Stefan Zweig via no Brasil um destino de progresso onde só havia possibilidade de progresso. Nem todas as possibilidades se tornam reais. Uma pessoa que tenha dez dedos pode tornar-se pianista, mas nem todas o serão. Mas, deslumbrado com essa terra onde, como dizia Caminha, "em se plantando tudo dá", e acreditando haver realmente uma pacífica convivência entre as etnias, as crenças e as classes, Zweig coloca o Brasil como um modelo para o mundo. Não quis ele saber ou não deu a devida atenção a episódios sangrentos da nossa História como a Cabanagem, a Revolta dos Malês e a Guerra de Canudos; não atentou para as invasões da polícia contra os terreiros de candomblé e a segregação não declarada à qual os negros eram (e ainda são) segregados. Uma das páginas mais ingênuas de seu livro é a que trata das favelas. Transcrevo o parágrafo: "Algumas das coisas singulares, que tornam o Rio tão colorido e ...