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E querem que os presidiários se recuperem?

Não quero esquecer que esse fato se deu no dia 30 de março de 2017. Um dia que começou para mim cheio de aborrecimentos: tudo quanto planejara para essa data estava dando errado. Aí eu cometi mais um erro: entrei às 16 horas em um ônibus para Niterói crendo estar atrasado para um compromisso às 17 e 30. O fato é que minha amiga e eu tínhamos combinado de nos encontrarmos às 19 e 30: ou seja, eu estava mesmo adiantado crendo estar atrasado. Não fosse esse erro, eu não estaria naquele ônibus e não teria sucedido o que vou contar. Se eu acreditasse em Deus, diria que Irmã Dulce, a quem o Vaticano logo declarará santa, enganou-me para que eu entrasse naquele ônibus. No trajeto entre São Gonçalo e Niterói, já no bairro de Santa Bárbara, entra um homem que, com a voz já comprometida por um exaustivo esforço, começa a contar sua vida: era um ex-detento em liberdade condicional, morava nos arredores e tinha que prestar serviços à comunidade três vezes por semana naquele colégio estadual que...

Não existe amor no fanatismo

O fundamentalismo não deveria ter esse nome. Digo isso porque as pessoas acusadas de serem fundamentalistas (ninguém se assume fundamentalista, são sempre os outros que dizem que alguém é fundamentalista) são pessoas que não veem um palmo à frente do nariz e só repetem sem questionar textos escolhidos por seus líderes religiosos. E defendem seus estreitos pontos de vista sem outros argumentos além da cansativa repetição dos mesmos textos, que os outros não têm obrigação de seguir, e de alguns preconceitos convenientemente selecionados. Eu os prefiro chamá-los de fanáticos, pois fundamentalista sou eu, que recito Camões e Gonçalves Dias de cor. A cada dia, esses fanáticos que só pensam nas conveniências de um deus que nada faz pela humanidade, que está só se preocupa em ser bajulado por multidões de adoradores enquanto incontáveis seres humanos sofrem todas as tristezas imagináveis, inventam novas justificativas para o injustificável. Dia desses, eu lembrei de Margaret Mitchell, autor...

O Engenhoso Fidalgo Stefan Zweig - texto II

Da mesma forma que Dom Quixote via gigantes onde só havia moinhos de vento, Stefan Zweig via no Brasil um destino de progresso onde só havia possibilidade de progresso. Nem todas as possibilidades se tornam reais. Uma pessoa que tenha dez dedos pode tornar-se pianista, mas nem todas o serão. Mas, deslumbrado com essa terra onde, como dizia Caminha, "em se plantando tudo dá", e acreditando haver realmente uma pacífica convivência entre as etnias, as crenças e as classes, Zweig coloca o Brasil como um modelo para o mundo. Não quis ele saber ou não deu a devida atenção a episódios sangrentos da nossa História como a Cabanagem, a Revolta dos Malês e a Guerra de Canudos; não atentou para as invasões da polícia contra os terreiros de candomblé e a segregação não declarada à qual os negros eram (e ainda são) segregados. Uma das páginas mais ingênuas de seu livro é a que trata das favelas. Transcrevo o parágrafo: "Algumas das coisas singulares, que tornam o Rio tão colorido e ...

O Engenhoso Fidalgo Stefan Zweig

Crescemos ouvindo dizer que o Brasil era o país do futuro. Futuro esse que nunca vimos chegar. Luis Fernando Verissimo certa vez escreveu uma crônica sobre isso: "Aquele estranho dia que nunca chega". Fui saber quem criou essa expressão num catálogo da editora L&PM de Porto Alegre: "Brasil, País do Futuro"é o nome de um livro do escritor austríaco Stefan Zweig. Ano passado, consegui lê-lo. Peguei emprestado na biblioteca de Niterói. Um antigo exemplar publicado pela Nova Fronteira. Diz a Wikipédia que esse livro é resultado de sua primeira viagem ao Brasil, entre 1940 e 1941. Um ano depois, ele morreria em Petrópolis. A versão oficial é suicídio mas os judeus não a aceitam. O livro me parece por demais ingênuo. Só quem não conhece as elites brasileiras pode imaginar que elas promoveriam o desenvolvimento do Brasil e a erradicação da miséria. Bem antes disso o Brasil ganhou muito dinheiro quando nascia a indústria do automóvel e tínhamos o monopólio das seri...

Lula foi condenado? E agora?

Particularmente, não me interessa saber se o triplex é do Lula ou da OAS. Não me interessa saber se ele é culpado ou inocente. O que sei é que há uma razão para ele ser condenado. "Não querem que ele seja presidente!", é o que dizem os devotos de Lula. E daí se ele for presidente pela terceira vez ou não? O que acontece é que o nefasto Temer está destruindo os direitos dos trabalhadores, como antes FHC entregou ao capital apátrida valiosas estatais. Naquela época, o PT esperneava contra as privatizações. A ilegalidade delas foi questionada por pessoas ilustres como o saudoso jornalista Barbosa Lima Sobrinho que, centenário, colocava ações na Justiça contra a privatização da Vale. E quando o PT chegou à presidência não se falou mais disso. Após destruir o Rio Doce e brindar o país com a volta da febre amarela, a Vale segue impune. Ninguém fala em retomá-la para o Estado como punição pelo maior crime ambiental de nossa História. Então, por que apoiar o PT? A condenação de L...

Temer, destruidor do futuro, pisa na Constituição todos os dias

Desde que tomou posse, Michel Temer tem dedicado cada minuto de seu governo a destruir o Brasil. Para ele, a Constituição não deve ser nada mais que um amontoado de papéis destinados a limpar a lama de seus sapatos, pois ele pisa nela todos os dias. Quer um exemplo? O artigo terceiro diz o seguinte: Art. 3º - Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: I – construir uma sociedade livre, justa e solidária; II – garantir o desenvolvimento nacional; III – erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; IV – promover o bem de todos, sem preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. Toda a sua maléfica obra se destina a impedir o desenvolvimento nacional e aumentar a miséria. A PC, que ele e seus aliados criaram para congelar por 20 anos os investimentos em Saúde e Educação, não tem outro objetivo além de destruir os serviços públicos. E não adianta dizer que essas verba...