Não existe amor no fanatismo
O fundamentalismo não deveria ter esse nome. Digo isso porque as pessoas acusadas de serem fundamentalistas (ninguém se assume fundamentalista, são sempre os outros que dizem que alguém é fundamentalista) são pessoas que não veem um palmo à frente do nariz e só repetem sem questionar textos escolhidos por seus líderes religiosos. E defendem seus estreitos pontos de vista sem outros argumentos além da cansativa repetição dos mesmos textos, que os outros não têm obrigação de seguir, e de alguns preconceitos convenientemente selecionados. Eu os prefiro chamá-los de fanáticos, pois fundamentalista sou eu, que recito Camões e Gonçalves Dias de cor.
A cada dia, esses fanáticos que só pensam nas conveniências de um deus que nada faz pela humanidade, que está só se preocupa em ser bajulado por multidões de adoradores enquanto incontáveis seres humanos sofrem todas as tristezas imagináveis, inventam novas justificativas para o injustificável.
Dia desses, eu lembrei de Margaret Mitchell, autora de "...E O Vento Levou". Nesse romance, Rhett Butler diz que quando uma guerra acaba ninguém se lembra mais como começou. Eu já não me lembro mais como começou a guerra na Síria e lamento que o sofrimento dos sírios esteja longe de acabar. E ainda hoje lembro do cadáver do pequeno Allan Kurdy, jazendo numa praia da Turquia.
A nova asneira dos fanáticos é usar o texto de Isaías, capítulo 17, para justificar a guerra na Síria. Desde que o livro que eles consideram sagrado pareça estar dizendo algo sobre os nossos dias, pouco lhes importa o sofrimento alheio.
Mas a Bíblia é aquele livro que é usado apenas quando é conveniente. O mesmo livro de Isaías começa condenando todas as práticas religiosas. Segundo o profeta, de nada valem louvores, orações e cerimônias quando há gente passando necessidade. "Parai de fazer oferendas sem sentido! Incenso é coisa aborrecida para mim! Lua-nova, sábado, celebração solene... não suporto maldade com festa religiosa." (Isaías 1: 13, tradução da CNBB).
Quero ver essas pessoas que usam o texto do profeta Isaías para lavar as mãos diante de um problema geopolítico que tem causado tanto sofrimento praticarem o que diz o mesmo Isaías no primeiro capítulo: "Lavai-vos, limpai-vos, tirai da minha vista as injustiças que praticais. Parai de fazer o mal, aprendei a fazer o bem, buscai o que é correto, defendei o direito do oprimido, fazei justiça para o órfão, defendei a causa da viúva." (Isaías 1: 16 e 17, tradução da CNBB.)
A cada dia, esses fanáticos que só pensam nas conveniências de um deus que nada faz pela humanidade, que está só se preocupa em ser bajulado por multidões de adoradores enquanto incontáveis seres humanos sofrem todas as tristezas imagináveis, inventam novas justificativas para o injustificável.
Dia desses, eu lembrei de Margaret Mitchell, autora de "...E O Vento Levou". Nesse romance, Rhett Butler diz que quando uma guerra acaba ninguém se lembra mais como começou. Eu já não me lembro mais como começou a guerra na Síria e lamento que o sofrimento dos sírios esteja longe de acabar. E ainda hoje lembro do cadáver do pequeno Allan Kurdy, jazendo numa praia da Turquia.
A nova asneira dos fanáticos é usar o texto de Isaías, capítulo 17, para justificar a guerra na Síria. Desde que o livro que eles consideram sagrado pareça estar dizendo algo sobre os nossos dias, pouco lhes importa o sofrimento alheio.
Mas a Bíblia é aquele livro que é usado apenas quando é conveniente. O mesmo livro de Isaías começa condenando todas as práticas religiosas. Segundo o profeta, de nada valem louvores, orações e cerimônias quando há gente passando necessidade. "Parai de fazer oferendas sem sentido! Incenso é coisa aborrecida para mim! Lua-nova, sábado, celebração solene... não suporto maldade com festa religiosa." (Isaías 1: 13, tradução da CNBB).
Quero ver essas pessoas que usam o texto do profeta Isaías para lavar as mãos diante de um problema geopolítico que tem causado tanto sofrimento praticarem o que diz o mesmo Isaías no primeiro capítulo: "Lavai-vos, limpai-vos, tirai da minha vista as injustiças que praticais. Parai de fazer o mal, aprendei a fazer o bem, buscai o que é correto, defendei o direito do oprimido, fazei justiça para o órfão, defendei a causa da viúva." (Isaías 1: 16 e 17, tradução da CNBB.)
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